Caixinha...

Por vezes paro no tempo. Absorvo como que com uma esponja toda a minha personalidade, forças e vontades para dentro daquela caixinha que em tempos alguém me deu. Pintada de azul da cor do mar, protege tudo o que eu sou por uns instantes e assim fico apenas eu sem mim. Ali dentro contemplo com nostalgia tudo aquilo que foi e que nunca mais será conjugado no presente do verbo ser.
É nestes momentos que me sinto livre de tudo, onde apenas me prendo a algo que me dá prazer. Não há consciência apenas sentimento. Mergulho no mar de incertezas que no fim da viagem me faz chegar a uma ilha de certezas.
Minha alma percorre lugares que só ela conhece, atravessa memórias de que só ela tem a chave.
Meu corpo, esse fica impávido e sereno, permanece intocável tal como o deixei, apenas marca presença e é o meu ponto de chegada ao mundo real. E é num passo de mágica que aterro meia atordoada a este meu corpo. Reparo que tudo se mantém igual. Observo pela janela e o mundo continua lá fora, o vento continua a soprar.
Aquela caixinha volta para a prateleira e de lá recolhe cada passo dado na minha vida, quando tiver saudade, basta abri-la e sentir o cheiro do passado.

2 comentários:

Nuno, apenas Nuno. disse...

Há momentos que é importante ensinar-lhes o sentido do verbo ser no presente :)
Mesmo que não seja da mesma forma.
Cristiana*

disse...

Obrigada *.*
A saudade, guarda memórias, memórias inesquecíveis, que ficaram para sempre contigo.

Note.

[Imagens recolhidas do Google e do DevianArt]

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