Bem-vindo!


Já tive um olhar vazio, onde nada do que existia tinha razão de ser. Onde o amor, por mais elogios que fizessem, não passava de algo completamente abstracto e no fundo inexistente a meu ver. Sempre fui muito racional e só acreditava no que via e sentia, e o amor, esse sentimento que toda gente busca de forma desesperada e obcecada, eu nunca havia sentido nem tão pouco visto, era apenas ilusão na cabeça de uma menina que tinha medo dos calafrios que este provocava.

Entre encontros comigo mesma, reflexões profundas e desgastantes, procurei respostas para tal afastamento de um sentimento tão maravilhoso cobiçado por todo o mundo. Na minha cabeça, e consequentemente na minha vida, o amor foi radicalmente colocado no centésimo lugar a nível de prioridades na minha vida. Cheguei ao cúmulo de fazer uma ligeira comparação entre o sentimento filho do cupido e o Pai Natal, porque não dizer que os dois eram uma lenda? Afinal ambos faziam toda a gente feliz mesmo sem ninguém os ver e na cor vermelha que dividiam, a desilusão vinha bem agarrada. Enquanto somos inocentes tudo faz sentido até que o antónimo da ilusão aparece no momento em que queremos viver tudo no seu pleno.

Mas é deste modo que crescemos, que encaramos a vida de uma forma mais realista, e talvez fria. Criamos defesas e deixamos para trás uma parte do carácter de crianças e avançamos para o que a vida nos colocou no caminho.

E eu avancei, continuei com o amor bem longe de mim. Até que um dia, nem sei bem se com um sol abrasador ou um frio arrebatador, tu chegas-te de armas e bagagens e com um ar autoritário sentas-te á porta de minha casa á espera da minha chegada. Eu havia saído, para mais um dia comum e uma rotina perfeitamente normal. Perto das sete horas da tarde já caminhava eu na minha rua, prestes a chegar a casa e vi algo estranho encostado á entrada da minha casa. Com rapidez no passo e alguma curiosidade á mistura cheguei perto de ti. E com avidez e desconfiança perguntei-te:

-Desculpa, quem és?

E tu com um sorriso ligeiro respondes-te:

- Esperas-te por mim todo este tempo. Sou quem tu procuras, mas apenas em forma humana.

Eu sorri com tal barbaridade, não tinha qualquer noção de quem serias. O teu rosto era-me desconhecido, mas havia algo em ti que prendia a minha atenção. Não resisti a convidar-te a entrar e mantivemos uma conversa bastante agradável e enriquecedora. Desde daí continuamos a encontrarmos constantemente e a cada dia o meu coração tinha batidas mais fortes e rápidas, o meu corpo sentia calafrios cada vez que te tocava e um beijo era capaz de bloquear cada movimento em mim…

Hoje sei, tu és o amor que tanto esperei mas inconsciente reneguei para último plano.

Eu não tinha qualquer rota ou mapa que me levasse a ti.

Mas tu encontraste-me.

Que sejas muito bem-vindo (:

4 comentários:

Filipa disse...

oh que texto tão lindo. :')
O amor é perfeito e entra na nossa vida sempre no momento certo.

Sté disse...

adorei mana!
penso que todas as pessoas deviam ter um presente desses à porta, merecedoras de um prémio que se ia erguer com o tempo : o amor!
esperar por vezes é o melhor método, pq nos tráz toda a surpresa!

CONTINUA*

p.s. a comparação entre o amor e o natal é perfeita, nunca me havia ocorrido!:)

Elo. disse...

levamos com desilusões, ilusões e muitos outros sentimentos mas a vida é mesmo isto.
o amor seja em que altura for é sempre bem-vindo.
gostei, foi fantástico.

Elo.

Anónimo disse...

Obrigado .b

Note.

[Imagens recolhidas do Google e do DevianArt]

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